Sócrates impõe PEC 4.5.6 com tracção à rectaguarda

Inimigo Público 30 de Abril de 2011

Por Ben Sabogas

Na primeira reunião com a troika EU-FMI-BCE (mecanismo de auto-ajuda económico-financeiro que instrui os países subdesenvolvidos a mobilizar os cidadãos remediados e desfavorecidos para o dever de sustentar as classes sociais mais relevantes), José Sócrates recorreu à sua clássica “fuga para a frente” e induziu a “brigada do aperto” à implementação de um triplo PEC 4.5.6 com efeitos retroactivos a partir do início do seu primeiro mandato.

Aproveitando uma ida premente de Passos Coelho à casa de banho (que Francisco Assis se apressou a classificar como uma deplorável colagem aos protestos da “Geração à Rasca”) e beneficiando da momentânea desconcentração da restante oposição, Sócrates conseguiu a aprovação destas medidas, garantindo que são indispensáveis mas suficientes, atendendo a que o mundo já mudou o que tinha a mudar e que não deve tardar para Teixeira dos Santos obter a já merecida transferência milionária para Bruxelas. Sócrates aproveitou ainda o encontro para exigir mais responsabilidade à Europa e à oposição, assim como ao empregado de mesa, que o deixou “às escuras” no Cabernet Sauvignon durante mais de vinte minutos. Após o encontro, já no exterior da “boite” Elefante Branco, o ex-primeiro-ministro foi questionado sobre as dúvidas que assolam os portugueses (entre as quais, quem apagou a luz no Benfica-Porto e como se escreve “micro-ondas” com o novo acordo ortográfico), mas escusou-se a responder aos jornalistas, que foram imediatamente repreendidos pelo seu motorista. Um repórter – que, segundo testemunhas, operava para uma estação televisiva conotada com alegados telejornais-travestidos-de-caça-ao-homem – foi mesmo atingido com uma sandes de panado que o chauffeur trazia na lancheira. Sócrates ainda teve oportunidade de apupar um grupo de idosos desempregados que se manifestava à sua passagem, acusando-os de populismo, demagogia e irresponsabilidade política, num gesto que evidencia a nostálgica influência que a antiga ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues (conhecida por vaiar adolescentes em provas desportivas ao ar livre) continua indisfarçavelmente a exercer sobre o secretário-geral do PS.

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