Geração dos 20 e geração dos 40 anos disputam título ‘Geração Parva’

Mário Botequilha 12 de Fevereiro de 2011

Uma canção dos Deolinda, “Que parva que eu sou”, gravada à socapa pela geração que saca filmes e música da Net, e posta rapidamente a circular, é o fenómeno mais estimulante da canção de intervenção desde “Talvez f****” ou dos hinos de Dina para o CDS e PND. Neste momento, a geração dos 20 e a geração dos 40 travam uma batalha fratricida, a Operação Dumb & Dumber, para decidir qual delas vive numa situação mais precária do que a dívida soberana da república ou os parques de campismo da Caparica.

“A geração parva, a geração Deolinda, culpa a geração rasca e a geração da tasca, as gerações do Muro de Berlim e do PREC, por terem feito dela a geração 500 euros a recibo verde, aquilo a que nós, os sociólogos, chamamos ‘geração Rui Pedro Soares mas ao contrário’”, explica António Barreto. “Acham-se a geração Praça Tahrir, em termos de Ermesinde, mas, pergunto eu, pessoas como o Oliveira e Costa ou o Armando Vara, que têm 50 anos ou mais e estão desempregados, não vivem situações bem mais angustiantes?” Dados recentes dizem que há 300 mil portugueses, entre os 15 e os 34 anos, à procura de emprego, 299.970 dos quais nunca frequentaram a universidade de Verão do PSD ou o “Prós e Contras”. É uma geração que se sente sacrificada pela rigidez de um sistema imposto pela geração mais velha, para manter os seus direitos adquiridos, como o estado social, empregos e canais da bola, não porque é a melhor preparada mas porque já usava calças à boca em 1974, porque estava lá. E que sente que a geração Lyonce Viiktórya, não tarda nada, está aí a bater-lhes à porta. MB

SIGA-NOS





Tópicos

Últimas

Do arquivo