FMI: “Abolição da escravatura em Portugal foi precipitada”

Inimigo Público 9 de Janeiro de 2011

Por Carlos Santos Almeida

O último relatório do FMI sobre Portugal, sublinha que os problemas da fraca produtividade do país poderiam ter sido evitados caso a abolição da escravatura tivesse sido protelada em um século.

“Ao passar a ser necessário o pagamento pelo trabalho prestado, a economia portuguesa encontrou mais um entrave sério à capacidade do tecido empresarial em competir com países com um quadro mais favorável em termos de direitos laborais”, pode ler-se no relatório que aconselha a maior cautela no futuro. Os especialistas do Fundo Monetário Internacional apontam mesmo algumas medidas que poderão atenuar o problema. Considerando que a eliminação do pagamento pelo trabalho seria socialmente mal aceite, avançam com a recomendação de maior contenção na remuneração. A título de exemplo, o FMI considera que a criação de emprego poderia ser alavancada com o pagamento dos assalariados tendo por base a média de desempregados. Assim, à remuneração devida a cada funcionário deveria ser retirado o montante que é necessário pagar a quem está desempregado. “O trabalhador empregado, que é beneficiado com a possibilidade de ser remunerado pelo seu trabalho, deve contribuir para suportar os custos inerentes às contribuições sociais para aqueles que impede de ocuparem o seu lugar”, refere o documento. Esta é uma medida que ajudaria a diminuir o défice das contas públicas, referem, uma vez que os subsídios de desemprego passariam a ser pagos directamente pelos trabalhadores. “Esta medida ajudaria a tornar visível a solidariedade entre a classe trabalhadora”, acrescentam os especialistas do FMI.

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