Obama pediu uma «facturinha»

Inimigo Público 28 de Novembro de 2010

Por Viriato Ferreira de Castro

De acordo com o novo pacote de austeridade, o governo de Portugal – enquanto país em crise, mas organizador de cimeiras faraónicas – decidiu, num puro exercício de «chico-espertismo» tão tradicional, cobrar os já anunciados 23% de IVA – apenas em vigor no próximo ano – a cada um dos comensais do banquete oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, na primeira e única noite da Cimeira da Nato.

Aproveitando a nova política de cada Estado-membro da Aliança Atlântica pagar todas as despesas da sua própria representação, fontes ligadas ao gabinete de Teixeira dos Santos confirmaram que, a seguir ao café (lote gourmet «Bretton Woods 2010») com cheirinho a medronho algarvio, todos os chefes de Estado pediram a «dolorosa». Ao confrontar o seu próprio «tiquê», o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá comentado com o seu staff: «Chiça que estes gajos aqui vivem bem! Para suportar um imposto de 23%, só pode!». Acto contínuo, o chefe de estado norte-americano, não esteve com meias-medidas; chamou um empregado que circulava pelas mesas e pediu-lhe: «Olhe, desculpe, se não se importa quero uma factura». Vários comentadores já alvitram a hipótese de, com tal gesto – e uma vez que tal factura nunca poderá ser descontada nos EUA -, Barack Obama querer mostrar aos seus congéneres Congressistas e Senadores quais as medidas a adoptar se todas as suas reformas falharem – se não conseguirmos melhorar a vida dos americanos, criando empregos e aliviando as suas obrigações fiscais, é carregar-lhes nos impostos para dar a ideia de que temos um tesouro público sólido! Depois de tudo o que foi dito sobre o sucesso da cimeira, nunca se poderia deixar passar em claro este pormenor técnico do Ministro das Finanças que, qual ponta de lança tramado, não perde uma oportunidade para cobrar… mais um golo!

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