Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer

Inimigo Público 24 de Novembro de 2010

Por Francisco Fernandes Ferreira

Um amigo meu aderiu ao Facebook há poucos dias. Ontem, confidenciou-me: – Criei uma conta para estar ligado ao pessoal mas só lá anda bonecada.

Certamente estranha, a perspectiva de quem só agora se emaranhou na rede social. Na verdade, a invasão de Desenhos Animados da semana passada alastrou-se esquizofrenicamente e desde então o conceito de amizade facebookiana mudou para mim. Aceitar convites do Incrível Hulk, do He-Man ou do Coraçãozinho de Satã ganhou utilidade para o futuro, seja numa fila da loja do cidadão ou numa rixa na noite. Gostar das músicas postadas pela Pequena Sereia ou pela Sininho é fofinho e todos sabemos que a fofura pode trazer dividendos. E se é certo que sermos identificados numa foto com o Winnie the Pooh ou com um Power Ranger pode não ser aconselhável, ser visto com o Colto Maltese ou a com a Pantera Cor-de-Rosa será sinónimo de popularidade. Além disso, foi perturbador enfrentar algumas revelações. Nunca fui com a cara da Fiona, mas não esperava que tivesse deixado o Shrek e tivesse casado com o Dartacão. Cadela! E foi mais fácil entender porque é que o Mister Magoo está numa relação com um Pequeno Pónei do que saber que o Bocas é filho da Abelha Maia e de um Estrunfe. Por sua vez, custa-me a crer que o Beavis tenha um Doutoramento em Matemática Aplicada e que o Batman trabalhe na EDP, mas eles assim afirmam. Apesar desta febre colorida e das suas consequências na minha vida, estou feliz por o criador da ideia – ao que dizem, o jornalista da RTP João Tomé de Carvalho – não ter proposto outros desafios como mudar a foto do perfil para uma imagem de um tumor maligno, de um cromo da Casa dos Segredos ou de um deputado do Parlamento, por esta ordem crescente de nojo. Eu deixo uma proposta alternativa: mudem a vossa foto de perfil para uma foto do matulão que vos batia na vossa infância e convidem os vossos amigos a fazer o mesmo. O objectivo do jogo? Não ver nenhuma cara no Facebook mas uma verdadeira invasão de traumas de infância! Assim, no final, para além de denunciarmos todos os bullies deste mundo e ajustarmos algumas contas, poderíamos ver se singramos na vida melhor do que esses rufias. PS: se leres isto Tom Sawyer, fica a saber que para o jantar em casa dos meus pais convêm levar botas. E já agora, tens o mail do Tsubasa? Só tamos 9 para a futebolada de amanhã…

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